Riviera Santa Maria: A visão de Jaime Lerner

Jaime Lerner.

Jaime Lerner na exposição do Estudo Conceitual da Riviera Santa Maria.

“Nossa equipe tem por condição só entrar em projeto em que acredita”. Estas foram as primeiras palavras de Jaime Lerner em sua fala no dia 03/05/13, quando participou da apresentação do Estudo Conceitual do empreendimento Riviera Santa Maria, no Clube Maresia, em Itapoá-SC. No vídeo, que pode ser visualizado aqui, Jaime Lerner explica as razões que o levaram a aceitar trabalhar no projeto e delineia os conceitos que embasaram a proposta de ocupação da área. São breves 17 minutos que esclarecem muito do projeto e do seu “arquiteto”.

No caso da Riviera Santa Maria, Jaime enxergou uma favorável conjunção de fatores. Lembrou que o Estado do Paraná tem apenas 34 km de litoral e o Município de Itapoá, sozinho, tem 30 km. Destacou a existência de um porto moderno, que traz progresso sem deteriorar a ocupação urbana. E sentiu-se estimulado ao “encontrar uma família idealista, que manteve esta área, não se preocupando em vender lote por lote como acontece em grande parte do Brasil”. E concluiu esse assunto dizendo que “a visão de fazer uma coisa que deixe um legado, que faça um diferencial, é que nos levou a trabalhar neste projeto”.

Falou em seguida sobre os pilares conceituais do projeto, como as quatro novas frentes para a água e a rambla, detendo-se por mais tempo em explicar a Praia de Bambu e a integração de funções e renda. Quanto à Praia de Bambu, a ideia é que seja um símbolo de sustentabilidade. O bambu é um dos materiais mais sustentáveis que existe. Tem crescimento rápido e ajuda no saneamento, entre outras vantagens. Foi pensado, então, num espaço de sombra para as duas primeiras quadras, usando o bambu. Ali deve acontecer o comércio leve, com um mercado público, lojinhas, restaurantes e bares. A ideia é agradar os jovens e as famílias, num espaço de animação. E para a praia propriamente dita, estão previstas umas ondas de bambu, de maneira que as pessoas não precisem “levar” a sombra.

“Não queríamos um lugar cheio de condomínios fechados porque aí  o que é que a cidade ganha com isso? Todo mundo isolado, com muros cada vez mais altos.”  O que traz segurança é a coexistência. É a atividade, é um prestar serviço para o outro, é  o comércio, mais tarde a faculdade. Por isso foi projetada uma cidade com integração de funções e de rendas, onde todos se sintam bem.

Jaime ainda externou sua certeza de que esta região está vivendo um grande momento, onde um sonho começa a acontecer. E revelou a fórrmula para fazer acontecer alguma coisa: propor um cenário, uma ideia, um projeto, que todos, ou a grande maioria, entendam como desejável. Então cada um vai ajudar a fazer acontecer. E concluiu dizendo: “Procuramos fazer um projeto à altura de mesma preocupação que a família teve quando preservou essa área. Se isso acontecer, nós estamos satisfeitos. Aindo espero correr ida e volta nessa praia de bambu, pela areia”.